Preciso de um colchão que não me seja um absurdo. Porque, a não ser que me venha um aumento, coisa pouca, mas coisa honesta, a minha conta do Bradesco tá bem em coma profundo (pensa que é fácil ser gente grande?).
Mas colchão é uma coisa séria, gente, é decisão difícil, é quase pra vida toda e temei o pra sempre. Pensa bem: dura mais que a maioria dos casamentos e, muitas vezes, pode durar mais que o próprio dono. Eu gostava, do meu antigo colchão. Mas ligar pro falecido pra perguntar a densidade da bagaça é o ó, mancada.
Pensei em comprar um colchão pela internet. Porque aquele papo de deita, sente as molas e tudo mais, como bem me lembrou uma crônica do Antônio Prata – e, se não me falham as ideias, também já li algo do Mário, também Prata, sobre isso – é coisa pra lá de constrangedora tentar ficar “a la vontê” degustando a maciez e as molas e a densidade do colchão assim, no meio da loja, sem nem pôr um pijama, tomar um negocinho antes, embolar pra lá e pra cá, colocar um travesseiro entre as pernas.
Mas comprar colchão pela internet é quase como escolher marido pela internet, hein? Sem a prova dos nove nem nada?
E eu fico nessa de compro não compro, vou não vou, deito não deito, enquanto a minha coluna grita, reclama, esperneia e eu converso calmamente comigo mesma: calma, flore, já passamos por coisas bem piores, hein? Vai por mim: toma um olcadil e dorme, linda e loira.





