quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Noturno: carregando as criaturas que a luz expulsou

Nem só de coletivos vive o Coisas. Pois. Numa segunda, há cerca de duas semanas (será?), lá fomos nós, Coisas e eu, a convite do namorado – que não curte mesmo essa coisa de blog (que coisa!) ao teatro.

A peça é Noturno, um musical que foi escrito por Oswaldo Montenegro e completa 18 anos – é o espetáculo mais antigo da Oficina dos Menestréis, com estréia em São Paulo em 1991. O elenco é formado pelos (empenhados) alunos do teatro-escola – será que posso chamar assim? – que participam dos cursos e workshops ministrados pela Oficina. São 50 menestréis (não, antes que alguém pergunte, eu não contei, li no site), que cantam, dançam, atuam... se jogam num figurino preto. No escuro. Que acolhe todas as criaturas que a luz expulsou.

Precisa dizer que o tema é a noite paulistana, que é “o horário do amor e dos mistérios”? Os esquetes retratam a boemia e também a violência, o trânsito, encontros, cenas do cotidiano... coisas de cidade grande.

No total escuro. É assim que o espetáculo começa. E é assim também que boa parte dele se desenrola. Os atores aparecem e desaparecem do palco em poucos segundos: reaparecem no meio da plateia, nas paredes, na cruz instalada numa das laterais.

Além dos alunos, o elenco de apoio é formado por uma banda e cantores que eu achei coisa sensacional, com uma trilha sonora pra lá de bacana. E tudo isso sob a direção de Deto Montenegro, irmão do autor e compositor, que também comanda o jogo de iluminação, ora alegre, ora sombria – que, believe, faz toda a diferença no espetáculo.

Ó uma das músicas:

Criaturas da Noite (Oswaldo Montenegro)

Eu tenho medo de ver

As criaturas da noite

Estátuas sem rosto me olhando eu já vi

As criaturas da noite

O noturno véu, porcelana lua de luz violeta

Brilha de néon no céu, porcelana lua de luz violeta

Eu tenho medo de ver...


Vai lá, que o Coisas recomenda!
Mas vai de roupas bem levinhas, que vou te contar, hein? O calor que anda fazendo no teatro. Patrocínio, por favor?

Teatro Dias Gomes

Rua Domingos de Moraes, 348, Vila Mariana, São Paulo – SP

Temporada: de 05/10 a 01/12/2009

Segundas e terças, às 21h
Ingresso: R$ 20,00
Informações: (11) 5575-7472
Site: http://www.oficinadosmenestreis.com.br/old/pecas.htm

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ah, o amor!

"Dentre as muitas magias que há, uma delas é olhar um ser amado dormindo: a salvo dos olhos e da consciência, por um delicioso instante tem-se nas mãos sua parte mais íntima; indefeso, ele nesse instante é tudo, por mais irracional que fosse, que sempre teve a certeza de que seria, puro como um homem, terno como uma criança."

Truman Capote

Copiei, ó. Daqui.

domingo, 15 de novembro de 2009

Meus vinte e poucos anos...

27. Não tem nem por que negar. E sim, essa é uma daqueles escritos retroativos que havia mencionado. E que foi escrito há, pelo menos, uns cinco meses. Coisa existencial. A parte do amor anda desatualizada. Ele veio. E, embora naturalmente, de manso não teve nada. Mas isso é outra história:

(...) Nesse período, perdi animais de estimação que estavam mais para membros da família. E doeu bastante. Ainda lamento a falta deles.

Fiz amizades e perdi amizades. Só que amigos de verdade não se perdem. Então acho que saí no lucro.

Aprendi que, sim, por mais que eu não queira, sou mais forte do que digo e penso.

Perdi a vergonha e me envergonhei ainda mais. Eu me apaixonei. Uma vez só. E quero cada pedacinho de infelicidade e o borboletear das asinhas de todas as 97 borboletas que carrego no estômago. Não, eu não fui correspondida – pelo menos não da maneira que mocinhas apaixonadinhas com olhar adolescente esperam (mesmo sabendo que não vai rolar). Mas percebi que o que me falta não é um amor tranquilo. Tive medo.

Senti falta e inveja de mim mesma. Raiva de quando não sou tudo o que poderia ser. Chorei tanto, que correram lágrimas que nem eram mais minhas – ou não deveriam mais me pertencer.

Dizem que a fase de maior crescimento de um ser humano é do nascimento ao primeiro ano de vida. O último ano da minha vida foi o que mais me ensinou, não tenho dúvidas.

Tive alegrias também. Quatro pessoas muito importantes passaram no vestibular para universidades federais. Duas tão especiais quanto, também conseguiram entrar na faculdade – e a minha fé de que daria certo não fez dessa conquista coisa menos estonteante. Amigas especiais, mais pra irmãs, casaram-se. Outros, tornaram-se pais, avós, bisavós.

Minha avó e meu avô rezam por mim todos os dias e me parte o coração ficar longe deles, mais do que quaisquer pessoas. Estou protegida. Minha irmã caçula e o meu pai sempre me ligam pra dizer que me amam. Os meus irmãos me amam e não precisam dizer nada: são o meu equilíbrio vital. A minha mãe é a outra metade da minha alma, ainda que não saiba e ainda que ela não esteja partida apenas em dois pedaços. Jamais ficaria completa sem a minha madrinha. Eu me dei conta que tenho a família menos convencional do mundo e, mesmo assim, a mais homogênea.

Tenho uma tia e uma avó que estão sempre comigo também em orações. Um tio que eu amo de paixão, e não me declaro. Com filhas que são quase minhas sobrinhas e por quem tenho um carinho imenso.

Vez por outra tenho surtos e gasto. Muito. Coisa que eu não posso e que não me completa. Com menor frequencia, acalmo o lado da alma que me pertence e rezo.

Continuo angustiada. Cansei de tentar ser leve. Ainda assim, sou.

domingo, 1 de novembro de 2009

O tal do colchão

Preciso de um colchão que não me seja um absurdo. Porque, a não ser que me venha um aumento, coisa pouca, mas coisa honesta, a minha conta do Bradesco tá bem em coma profundo (pensa que é fácil ser gente grande?).

Mas colchão é uma coisa séria, gente, é decisão difícil, é quase pra vida toda e temei o pra sempre. Pensa bem: dura mais que a maioria dos casamentos e, muitas vezes, pode durar mais que o próprio dono. Eu gostava, do meu antigo colchão. Mas ligar pro falecido pra perguntar a densidade da bagaça é o ó, mancada.

Pensei em comprar um colchão pela internet. Porque aquele papo de deita, sente as molas e tudo mais, como bem me lembrou uma crônica do Antônio Prata – e, se não me falham as ideias, também já li algo do Mário, também Prata, sobre isso – é coisa pra lá de constrangedora tentar ficar “a la vontê” degustando a maciez e as molas e a densidade do colchão assim, no meio da loja, sem nem pôr um pijama, tomar um negocinho antes, embolar pra lá e pra cá, colocar um travesseiro entre as pernas.

Mas comprar colchão pela internet é quase como escolher marido pela internet, hein? Sem a prova dos nove nem nada?

E eu fico nessa de compro não compro, vou não vou, deito não deito, enquanto a minha coluna grita, reclama, esperneia e eu converso calmamente comigo mesma: calma, flore, já passamos por coisas bem piores, hein? Vai por mim: toma um olcadil e dorme, linda e loira.


O tapete que acende a luz

No final de semana passado, fomos ao aniversário da minha prima. Sim, fomos. Nós dois: namorado e eu – desencalhei, gente! (love, love, love). Então. Fomos. A reunião foi na Vila Olímpia, no apartamento ultra mega blaster chiquetoso dela.

Só que este ano, além do namorado – ele bem foi avisado, hein? Da pernambucalhada que encontraria pela frente? –, a novidade foi a minha tia, que veio a São Paulo pela primeira vez a convite da sobrinha aniversariante.

Pois conversa vai, cerveja vem, conversa vem, tequila vai, e ela começa a contar sobre um evento que a tinha deixado intrigada: a luz que acendia sozinha.

É que lá em Catende, de onde a gente vem (e nem faz diferença quem nasceu em Palmares, Recife ou mesmo Campina Grande, que todo mundo veio mesmo foi de Catende), lá no interior de Pernambuco, não tem essas modernidades não. Pra acender a luz, você tem que apertar o pitoco (que é o interruptor). E a história foi mais ou menos assim:

Toda vez que a gente saia do elevador, a luz acendia. E eu ficava olhando pra mão de Alê (o marido da sobrinha), pra ver se ele apertava em alguma coisa. E nada. Ele deve apertar em algum botão, né? E eu não vejo? A porta do elevador abria e a luz acendia.

E, agora a noite, quando a gente foi descer, abri a porta, pisei no tapete e a luz acendeu sozinha. E eu, muito esperta, achei que tinha entendido, né?

- Já sei, madrinha! É o tapete! Toda vez que a gente pisa no tapete, a luz acende. É isso. Já descobri.

- Cláudia, não é o tapete. É o sensor! Cláudia, sensor, sensor, Cláudia! hahaha”

Risos, hein? Gargalhadas. A história foi contada quatro vezes e não perdeu a graça. E eu fiquei pensando: como danado ela conseguiu dormir sem descobrir como era que a luz se acendia?

Teve também a história da torneira do banheiro, que a água saía sozinha, do petit gateau, do chuveiro que não esquentava (se eu tomo banho fervendo em Catende, imagina num frio da muléstia desses!), da pizza com o nome estranho. Nada como descobrir as coisas, que nem criança.

E esse mundo moderno é mesmo o fim do mundo, hein tia Cacá? Quer coisa mais honesta que apertar o pitoco?


E começa o doce novembro

Não me lembro quando o meu aniversário perdeu a magia. Mas, mágico ou não, novembro é um mês doce, que nem no filme. E, dentro de duas semanas, 27.

Vida nova então, não é bivô? E com presente de aniversário antecipado.

Gracias a la vida. É pique, é pique, é pique!


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

No mundo da lua

É assim. A mente pensante do Coisas anda bobinha, bobinha.


Love, love, love, já dizia Pelé.

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"foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não | se instalou feito um posseiro dentro do meu coração". Porque só o Chico sabe das coisas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O maior agá do mundo

Não lembro bem qual é o nome que se dá pras desculpinhas esfarrapadas que a gente inventa vida afora por essas terras paulistanas. Mas lá na minha terra o nome disso é agá. E sei lá por que.

Agorinha à noite – um doce pra quem adivinhar que a história se passou num coletivo –, enquanto me preocupava em não manchar as unhas – ou borrar, que é o vocábulo mais comum pra essa situação lá em João Pessoa – recém pintadas de vermelho (mais precisamente Gabriela com Rebú, como se eu lá entendesse de cor de esmalte), escutei o seguinte diálogo:

Moça lá no último assento: Me dá o seu telefone, pra “mim” ligar pra você!

Rapaz prestes a descer na parada, com cara de “puuuutz”: Eita... pior que eu não sei de cabeça, ó...

Moça lá no último assento: (...)

Rapaz prestes a descer na parada, com cara de “puuuutz” e tirando o celular do bolso, len-ta-meeen-te, pra fingir que iria procurar o número: Ihhh, não vai dar tempo...

Pronto. Desceu. Correndo. Sem nem olhar pra trás. E eu olhei, né? Pra ver quem era a moça. Ficou lá, coitada, com olhar desolado, casaquinho rosa, comendo um sanduíche (que por aqui é bem mais conhecido como lanche) de pão francês, com alface saindo por todos os lados. E eu pensei, né: o maior agá do mundo esse negócio de não lembrar do próprio número.

Nem tão elementar assim, minhas caras e meus caros. Dia desses, esqueci o meu número e nem foi um agá. Lembram da vez que o
maníaco do aeroporto começou a ligar insistentemente de todos os números desconhecidos possíveis? E a história do integrante de uma banda de forró que começou a me chamar de “bebê” depois de me conhecer no café da manhã, num hotel pra lá de furreco?

Pois. Já que a pessoa fica sem graça e não sabe dizer “desculpa, mas não, não, não... sem número de telefone, beijo-não-me-liga-nunquinha-pelamor”, o jeito foi não decorar, assim, propositalmente, os meus números. Não que essa pessoa linda e loira (ah vá!) seja assediadérrima, deixemos claro, hein? Mas a jagunçada que andava me abordando era uma coisa horrorosa.

Problema é esse e só: quando um certo alguém (eita, olha a música do Lulu Santos vindo com tudo agora) que parece ser legal, parece ser bacana e blá pede o seu número e você diz “puuuuutz, esqueci, ó!”. O que é que a pessoa pensa, hein? Maior agá do mundo! Eis que você lembra do número do trabalho. Ufa! E viva o ramal corporativo!
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Uma divorcèe, coisa de senhorita distinta

Coisadinhos de mi vida, um comunicado importante, importantérrimo: sou uma divorcèe.

A bagaça, finalmente, está no papel. E não poderia ter sido em melhor hora. Believe!

pê.esse:
_ganhei até um parabéns do falecido. Viva, hein? Os bons modos, os tempos modernos, o divórcio aos 26 sem guris e com uma carinha de débutant. Love, love, love.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mais uma daquelas histórias

Eram pouco mais de oito da noite, num ônibus que me levava do centro para casa. Os dois entraram meio desconfiados, cabeça baixa. Logo descobriríamos o motivo. Passaram por baixo da catraca. Um deles foi lá para o fundo e o outro se pôs a falar. Pessoal, é o seguinte. A gente acabou de sair do presídio e tá precisando de dinheiro pra voltar pra Campinas. A gente fica num quartinho aqui, que é oito reais por dia, pra tomar banho e dormir. Mas a gente precisa voltar pra casa. Eu estou aqui pedindo (isso sempre me soa como uma ameaça), não estou obrigando ninguém.
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Tinha me esquecido de sacar qualquer cédula daquela maquininha mágica, o caixa eletrônico. Não pude oferecer mais do que algumas moedas – que não posso afirmar se foram oferecidas por medo, piedade ou por achar que todos merecem uma segunda chance. Não sei que crimes cometeram e não me cabe o papel de julgar.
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O que sei é que me impressiona como a minha memória funciona bem até demais para registrar o que me acontece por aí: os rostos, cheiros, a sensação de aperto no peito e a de culpa – embora fossem eles os ex-detentos. E ela não me dá sossego, a memória, até que eu despeje tudo aqui no Coisas. Já a culpa é coisa mais difícil de tratar.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Virada Esportiva de São Paulo

Enquanto esse ser que vos escreve curtia uma bela ressaca – que merecia até um textinho todo especial –, trancafiada no cafofo e tiritando de frio (desconfio da pressão baixa), os atletas ocuparam a cidade.
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É que nesse final de semana teve Virada Esportiva. Seguindo o mesmo conceito da Virada Cultural, São Paulo viveu, sem parar, 24 horas de esportes e atividades físicas em seus parques, clubes e ruas. Mais de dois milhões de pessoas, ao contrário da minha, participaram da Virada Esportiva.
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Teve Kung Fu, skate, rapel, bike, luta livre, tênis de mesa e até parkour, gente! Aquele esporte pra lá de curioso, onde o cidadão se desloca pra lá e pra cá, superando obstáculos como galhos e paredes e coisa e tal? Enfim, habilidade de homem-aranha total. Confesso que comi mosca. Mas já estou preparando o fôlego pro ano que vem! (Ah, essas minhas promessas).

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Tem fotos e textos sobre a virada aqui, ó!

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domingo, 20 de setembro de 2009

Aviso aos coisados

Qualquer dia desses, há de haver postagem retroativa aqui no Coisas. Como esta, que deveria ter sido publicada no domingo e não o foi.
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Sim, porque eu devo um relato sobre a Festa da Achiropita e não estou esquecida. E o show de Marylin Manson, hein? Que eu fui e não contei... essa é do tempo do falecido. Altas coisas, gente, não foram publicadas no Coisas.
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Quando o ser humano não tem vergonha na cara isso é uma coisa muito da séria...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O mandacaru

Sabe que eu sempre quis ter um mandacaru bem grandão em casa, um daqueles vistosos de dar gosto? “Afe, como essa menina é estranha. Pra quê um mandacaru?”, perguntou abismada a minha madrecita. Porque eu acho bacana, oras! Digo logo!
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Pois acho mesmo bacana. Como um troço de me firmar nordestina. Sim, moro em São Paulo, deixei a minha terra amada, mas não sou, assim, uma desertora e sei muito bem de onde vim – mesmo que não faça nem ideia pra onde vou. É isso. É um reafirmar, um não negar. Embora, hein? Os coqueiros representem bem melhor o litoral paraibano que um danado dum cactus.

Sei lá, aquele negócio de mandacaru quando fulora na seca, coisa e tal, mexe comigo. E tem o meu quadro de Kétima Amorim, com a feliz volta dos retirantes pra casa. Orna.
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Vai dizer que não orna?
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Outro dia cheguei à conclusão de que preciso de um agave, que é dali que se extrai a tequila (arriba!). Um mandacaru e um (ou seria uma?) agave. Perfeito.
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Mas e aquele papo de como eu era estranha? Eis que começo a ler um livro herdado do Jabor (valeu, pai!) e descubro que não sou a única com esse faniquito por um mandacaru. Fiquei até sensibilizada com tamanha identificação.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Coisas que me perdoe...

Porque vocês hão de perdoar, né? Os móveis, gente, e os livros e as minhas coisinhas que eu nem lembravam que eram minhas chegaram. Cheirando a guardados, né? De tanto esperar. Domingo inteirinho de labuta. Não há nariz, garganta, olhos e coluna que aguentem. Mas voltamos, hein? Em breve. Pra contar como foi a Festa da Achiropita.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Bater tampas de panelas na cantina italiana é o que há. Vero!

Noite geladíssima, em companhia de uma mãe reclamona que não se aguentava em cima do salto, com uma cara de sofrimento de sensibilizar até a minha pessoa irritadiça, entrei pela primeira vez numa cantina veramente italiana. Cantina, cantina, capice? Lugar simples, acolhedor, aconchegante. A escolha foi aleatória, não hei de mentir (quem falou que encontrei o Guia São Paulo e que havia internet no cafofo pra fazer aquela pesquisa?)
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Não fomos de massa. Era rodízio (lá tem rodízio aos sábados) e quem podia com aquela comida toda? Porpeta, polenta, canelone, lasanha, espaguete, ravióli e o que mais a pessoa pensar nessa vida. Pedimos uma pizza, pra lá de buenísima (Dio mio, quero aprender a parlar Italiano já!). E uma tacinha de vinho, só pra entrar no clima.
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Lá dentro, bandeiras da Itália, do Brasil e de São Paulo. Um senhor bem simpático cantava ao vivo, acompanhado dos acompanhamentos do teclado, aquelas músicas italianas espetaculosas, que transportam a gente diretinho pra lá. E ainda encarava a minha mãe, que teve uma crise de riso, ó!




Eis que ele começa a tarantela, acompanhado de muitas palmas:
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Jammo, jammo, 'ncoppa jammo ja'. Jammo, jammo, 'ncoppa jammo ja'. Funiculi, funicula, funiculi, funicula. 'Ncoppa jammo ja', funiculi, funicula.
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E, do nada, no meio daquela empolgação toda, o dono da cantina, Walter Taverna – descobri o nome dele procurando no Google –, começa a bater tampas de panelas. Susto, né? E delírio da clientela com o vovozinho de bochechas rosadas. Coisa pra lá de surreal. Precisa dizer que a noite foi divertidíssima?
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Nas paredes, fotos do “Bolo do Bixiga” – aquele tradicional, de metros e metros, que é servido no aniversário de São Paulo e acaba em trinta segundos. Pois descobri também que o dono da cantina é presidente da Sociedade de Defesa das Tradições e Progresso do Bixiga (Sodepro), responsável pela confecção do bolo.
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Lá pelas tantas um fotógrafo aparece e registra tudo, pra depois vender um chaveirinho com a nossa foto de um lado e a do seu Walter batendo as tampas do outro por R$5,00 (e confesso logo que compramos o souvenir sem nem pestanejar).
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E tem um sino, hein? Pendurado na porta, que eu acho que é pra dar sorte. Então tocamos o danado com gosto na saída. La Conchetta, o nome da cantina. Fica na Rua Treze de Maio, 560.

Ó seu Walter tocando o sino! (Foto: Silvia Ribeiro/G1)